INTRODUÇÃO
Uma pesquisa é sempre, de alguma forma, um relato de longa viagem empreendida
por um sujeito cujo olhar vasculha lugares muitas vezes já visitados. Nada
de absolutamente original, portanto, mas um modo diferente de olhar e pensar
determinada realidade a partir de uma experiência e de uma apropriação do conhecimento
que são, aí sim, bastante pessoais.
Contudo, ao escrevermos nossos relatórios de pesquisa ou teses de doutorado,
muitas vezes nos esquecemos de relatar o processo que permitiu a realização
do produto. É como se o material no qual nos baseamos para elaborar nossos
argumentos já estivesse lá, em algum ponto da viagem, separado e pronto para ser
coletado e analisado; como se os “dados da realidade” se dessem a conhecer, objetivamente,
bastando apenas dispor dos instrumentos adequados para recolhê-los.
Não parece ser assim que as coisas se passam. A definição do objeto de pesquisa
assim como a opção metodológica constituem um processo tão importante
para o pesquisador quanto o texto que ele elabora ao final. De acordo com Brandão
(2000), a tão afirmada, mas nem sempre praticada, “construção do objeto” diz respeito,
entre outras coisas, à capacidade de optar pela alternativa metodológica mais adequada
à análise daquele objeto. Se nossas conclusões somente são possíveis em razão
dos instrumentos que utilizamos e da interpretação dos resultados a que o uso dos
instrumentos permite chegar, relatar procedimentos de pesquisa, mais do que cumprir
uma formalidade, oferece a outros a possibilidade de refazer o caminho e, desse
modo, avaliar com mais segurança as afirmações que fazemos.
domingo, 24 de abril de 2011
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